Meios de pagamento e serviços digitais

23 jun, 2016Notícias

CIAB continua fervilhando. Além dos assuntos do primeiro dia, ganharam destaque os temas de meios de pagamento eletrônicos e serviços digitais.

Meios de pagamento eletrônicos

O mercado brasileiro é pioneiro na adoção de algumas relevantes tecnologias associadas a meios de pagamento como cartões com chip e cartões múltiplos (crédito e débito ao mesmo tempo).

Pagamentos eletrônicos são tão relevantes para nossa economia, que o Banco Central divulgou dados que indicam que mais de 50% do crédito para consumo advém de financiamento no cartão de crédito.

A despeito destes fatos, acredita-se que exista um mercado inexplorado gigantesco, incorporando small tickets (até R$5,00 ou R$10,00), segmentos de saúde e seguros, pagamentos ao governo (B2G), entre muitos outros.

A cadeia de valor dos pagamentos eletrônicos está estabelecida e envolve diversos players, incluindo bandeiras, adquirentes e emissores, os quais apoiam-se em (e suportam) padrões tecnológicos, bem como contratos e processos operacionais definidos. Sua fundamentação reside em confiança e segurança.

Existe grande discussão acerca da aplicação de novas tecnologias neste mercado. Em especial, a evolução do IoT (Internet das Coisas) promete abrir novas formas (mais convenientes?) de se fazer pagamentos. Num horizonte projetado de até 50 bilhões de devices conectados em 2020, pode-se sonhar em pagar um café com seu relógio, fazer compras de alimentos a partir de sua geladeira, pagar pela gasolina ou pedágio com seu carro conectado. Usabilidade e conveniência são as palavras da moda.

Seriam estas tecnologias catalisadoras de disrupção desta indústria? Os players atuais acreditam que não. Eles sustentam que o modelo estabelecido – alocação de crédito, o capital investido, os padrões adotados e a segurança resultante – conseguem assimilar as novas tecnologias e avançar na frente da conveniência, sem serem ameaçados pelas fintechs (novos entrantes). Eles estão certos?

Adicione-se à experiência do usuário o outro Santo Graal das fintechs: a desintermediação financeira com redução das tarifas associadas. Afinal, há que se admitir que o custo dos pagamentos eletrônicos ainda é elevado no Brasil; quem nunca recebeu uma oferta de desconto para pagamento em dinheiro?

Seria possível entregar comodidade e segurança, sem o overhead do modelo estabelecido? A tecnologia de Blockchain ainda não é capaz de atender todo este mercado em seu atual estado de evolução; mas, e no futuro?

Interoperabilidade, segurança, conveniência e custo são alguns dos elementos que o móbile do sistema de pagamentos tenta equilibrar. Se o ponto de equilíbrio futuro será o mesmo do presente, saberemos em breve…

Serviços digitais

A digitalização da indústria começa a se traduzir em novos serviços. Alguns deles nascem nos próprios bancos, impulsionada pelos dispositivos móveis e seus apps.

O Itaú lança novas versões de seu mobile banking a cada duas semanas, e ainda libera apps “menores” para transações comuns como tokpag (transferência de valores), pagcontas (pagamento de boletos) e seu cartão virtual (compras seguras na Internet).

A ideia é atender uma sociedade que está em transformação, que valoriza cada vez mais seu tempo, que tem grande mobilidade urbana, e que busca novas experiências de consumo.

Mas os serviços digitais também atingem indústrias adjacentes, como a de  telecomunicações. A internet patrocinada é um exemplo de parceria entre estas indústrias. Num exemplo prático, a Vivo (operadora de telecomunicações) não debita da franquia ou cobra de um pré-pago o tráfego de dados direcionado ao site do Bradesco (instituição financeira) ou oriundo de seu aplicativo móvel (mobile banking).

Novas ofertas de serviço e novos modelos de negócios vão se moldando a uma realidade em mutação, a uma sociedade pulsante e em rápida transformação. Oportunidades são identificadas para atender necessidades outrora latentes. Ousadia e criatividade devem imperar.

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